Morando fora | Minha vida depois de 4 anos na Espanha

Para inicio de conversa, sinceramente, nunca pensei que me transformaria em uma  “blogueira” (KKKKKK risos infinitos). 

Apesar de escrever com todo carinho do mundo sobre minhas andanças por essas terras, confesso que para mim esse blog tem um significado que vai muito além disso, é praticamente um segundo filho. 

Não sei vocês, mas tenho a a leve impressão de que o tempo está passando cada vez mais rápido. Olho para trás e nem acredito que já se passaram quatro anos  desde que cai de paraquedas em Madri, para recomeçar a vida do zero.

Eu sempre ouvi dizer que todo fim era um novo recomeço, mas não tinha ideia da dimensão disso até me tornar imigrante.

Quando eu saí do Brasil, estava com a vida “marromenos” encaminhada: Partindo para o 6º semestre do curso de fisioterapia,morando em São Paulo, trabalhando, recém-casada e aprovada em um concurso público.

Deixar isso tudo para trás  não doeu.Eu simplesmente confiei no destino e senti que era o momento de dar uma reviravolta. Fui sem medo, mas confesso que com o coração bem apertado.

Ficava para trás um futuro, sonhos, familia, amigos, meu país.. e olha só, já se passaram quatro anos e nem sabia o quanto eu era forte.

Meu primeiro ano na Espanha – SOCORRO!  (2014)

Em 2014, eu e a Espanha tivemos um intenso caso de amor e ódio. É dificil de entender, eu sei. Mas as dificuldades do inicio me fizeram cambalear sobre as decisões que havia tomado meses antes. O “se” me atormentava dia e noite.

“E se eu tivesse ficado? E se eu tivesse terminado a faculdade? E se, e se..”. Foi horrivel viver meses e meses com esse sentimento. Eu queria estar aqui, mas também queria estar lá.

E a coisa ficou meio estranha: meu corpo estava presente, mas minha cabeça pensando sempre na vida que tinha deixado no Brasil. 

 

Logo quando cheguei em Valência – 2014

 

E ai eu comecei a ficar bem triste,  e absolutamente tudo estava dando errado. Não conseguia entender sobre as leis da Espanha, sobre a documentação que exigiam para eu viver legalmente, de que forma eu poderia continuar meus estudos, de como voltar a ter uma “vida normal” por aqui. 

Resumo da ópera: Eu estava mais perdida do que cego em tiroteio.E sim, eu já tinha pesquisado muito sobre tudo isso antes,  tinha tanto papel nas mãos, mas não tinha “cabeça” para dar uma solução.E depois de sete meses em terras espanholas, me rendi e parti para o Brasil. 

 

Meu segundo ano na Espanha – Outra cabeça! (2015)

Depois de regressar para o Brasil, bastou apenas alguns dias para entender que eu tinha me equivocado, outra vez. Uma vez ouvir ou li por ai,  que “o nosso último erro é o nosso melhor professor“, e certa disso, resolvi aquietar minhas angustias e deixar de pensar tanto no passado e também no futuro.

Eu queria voltar, ia voltar, mas dessa vez sem tantos erros. E foi aí que nasceu meu blog. Porque se eu estava perdida, com toda certeza tinha mais gente nesse barco.

Voltei para a Espanha depois de passar seis meses no Brasil e perceber que absolutamente nada tinha mudado.

Eu estava outra vez em um ciclo que não queria estar:  Vivendo com medo de ser roubada no caminho ao trabalho, enfrentando ônibus lotado, engarrafamentos infinitos, passeios familiares em shopping e aquela velha “disputa brasileira” de quem leva uma vida melhor.

Nada tinha mudado, exceto, eu. Fiz as malas,embarquei cheia de motivações, com informações mais precisas e  “outra cabeça”. Era o momento! Era hora de tentar outra vez. Eu estava inteira e disposta a encarar tudo o que vinha pela frente.

E tudo, por fim, começou a fluir. Eu tive que mudar minha percepção sobre muitas coisas. E deu certo.Foi somente no meu segundo ano aqui na Espanha que consegui fazer novas amizades e dar meus primeiros passos no país. 

Nosso grupinho: Mamas sin fronteras!

 

Consegui minha autorização para residir e trabalhar, me matriculei em um curso preparatório para uma formação profissional e foquei em melhorar no castelhano.

Minha adaptação na Espanha foi ficando mais fácil, afinal, eu vim com “outra cabeça” e isso foi imprenscidivel para encarar as adversidades.

Me dediquei exclusivamente como mãe, afinal, era o primeiro ano da minha filha no país. Frequentei parques, praças, aniversários, e estive ao lado dela em todos os momentos. E no final das contas, percebi que se adaptar a um novo país é muito mais dificil para nós, adultos.

Minha filha chegou no ultimo trimestre escolar mas conseguiu aprovar para a próxima etapa.

 

 

Meu terceiro ano na Espanha – Um ano especial  (2016)

2016 foi um ano especial. Por fim, me sentia confortável com minha nova vida. Aprendi assimilar sobre as “regras” de conduta e costumes do país, voltei a estudar, viajei para vários lugares incriveis  e matei as saudades de casa com a  chegada da minha mãe. 

Conheci outros imigrantes e percebi que as coisas vão se ajeitando a partir do terceiro ano. Obviamente que isso é muito relativo, mas comparando nossas histórias, vi que recomeçar no exterior leva seu tempo.

Então se você já esta na Espanha e as coisas não estão indo como esperava, tenha um punhado grande de paciência!

Meu quarto ano na Espanha –  (2017)

Depois de virar imigrante e conhecer de perto as dificuldades de recomeçar em um novo país, cada passo, por mais pequeno que seja, ele conta.  Nunca pensei que ficaria tão feliz em conseguir minha habilitação espanhola, terminar um curso de quiromassagem, homologar meu ensino médio e ser chamada para entrevistas de trabalho.

E sim, celebrei cada pequena vitória, porque meus queridos, é muito fácil se deixar levar e “enganar” pelas aparências.

Programas de televisão, blogs, vlogs e sites de viagem costumam “pintar” a vida no exterior como algo realmente fácil. E não é. 

Sim, eu sei que escrevo sobre minhas viagens, sobre como é bom conhecer outra cultura, outro idioma, e bla blá blá, mas você pode buscar aqui no blog que tem muito texto meu, onde tô “chorando as pitangas” e mostrando o outro lado da moeda. Faz parte!

Minha viagem a Benidorm, 2017.

 

O que mudou na minha vida depois de quatro anos na Espanha ?

Morar no exterior é ,literalmente, terra onde o filho chora e a mãe  não vê.Ser imigrante não é fácil, gera muitas frustações e necessita um nivel extra de esforço para absolutamente tudo. E tem dias que cansa. 

Por outro lado, você ganha tantas coisas. Morando fora eu aprendi um novo idioma, conheci pessoas de outros paises, ganhei uma nova familia, fortaleci laços e rompi com outros.

Minha familia espanhola

 

Mas, se eu tivesse que escolher dentre todos os aprendizados nesses últimos anos, sem dúvida, te diria que a  maior lição  de todas foi sobre enfrentar medos, solidão e não se render facilmente.

Hoje, eu tenho um pouquinho (ou muito) do jeito de ser dos espanhóis, misturado com minhas raizes e com um tiquinho do que fui descobrindo dia após dia.À medida que vamos caminhando, vamos aprendendo tanto que as vezes quem está do outro lado não entende ou não consegue acompanhar nossa evoulção. 

Depois de quatro anos na Espanha eu aprendi o verdadeiro significa de “se virar”, de ser forte, de ser fraco, de equilibrar as emoções e de viver um dia de cada vez. 

Depois de quatro anos na Espanha, já não sou a Taiana de antes.
Agora sou mais grande. No meu peito cabe o Brasil, cabe a Espanha, todos os erros e acertos. Ainda bem!


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Saludos!!

 

 

Taiana Jimenez

Sou brasileira, residente e apaixonada pela Espanha. Amante de viagens e da cultura espanhola, compartilho com vocês minha experiência e as melhores dicas para quem deseja morar, estudar ou turistar pela terra de Cervantes!