A dor e a delicia de ter casado com um gringo

 

Chegando a mais de 900.000 visitas aqui no blog (a propósito…Muito obrigada!!) esse é um assunto bastante recorrente na minha caixa de e-mails.

Toda semana ao menos dez pessoas me perguntam como eu vim parar nesse país maravilhoso e como foi minha adaptação durante esse tempo. 

Bom, eu já contei um pouquinho da minha história em outros textos, como vocês podem ver aqui

 mas hoje quero abordar esse assunto com um enfoque diferente.

“Se deu bem, hein fia!”

Não foi a primeira vez e tenho certeza que nem será a última que essa frase ressoou nos meus ouvidos desde que casei com um cidadão estrangeiro ou como mais conhecemos no Brasil, o “famoso gringo”.

A imagem que nós temos de mulheres (e também de homens) que estabelecem uma relação com pessoas de outros países (principalmente europeus) é que ganhamos um bilhete premiado na loteria da vida.

O que as pessoas pensam a seu respeito 

O julgamento, para bem o para mal, acontece de todos as formas e lados, inclusive no ambiente familiar. 

Em muitos casos é como se ter casado com uma pessoa de outro país anulasse por completo toda sua história de vida, todo seu esforço pessoal e profissional. Agora você é apenas uma pessoa “sortuda”.

E não estamos falando da sorte de ter encontrado uma pessoa legal, que te ame, respeite e seja um baita companheiro (a).Nada disso. É a sorte de ter nas mãos um passaporte vermelho e um futuro promissor em terra alheia.

Sim, são essas e muitas outras truculências que li e ouvi durante muito tempo. De ambos lados. Casar com um estrangeiro é sinal de que a vida sorriu pra você, que finalmente você se “deu muito bem”. Sim, bebê as pessoas passar a te ver como uma interesseira.

Quem tem um amor sem fronteiras sabe bem do que estou falando. Em contrapartida, o que pouca gente sabe é que ter um relacionamento com alguém de outro país, na maioria dos casos, não tem absolutamente nada a ver com isso.

Conviver com alguém que cresceu em um sistema de crenças parcialmente ou totalmente diferente do seu pode pesar bastante numa relação.

Eu, por exemplo, não entendia como meu marido (que é espanhol) podia ser tão direto ao dar uma opinião.

Até aprender que isso é um traço cultural do seu país levou um baita tempo e como vocês podem imaginar um sem-fim de conflitos.

Por outro lado, ele não entendia como eu podia fazer minhas atividades de forma tranquila e sem pressa.

E assim muitas outras coisas que vão sendo apresentadas e conectadas com o passar do tempo. Acontece que hoje vivemos na era do “imediatismo” e muitos relacionamentos terminam por não sabermos esperar, aprender e respeitar essas diferenças culturais.

A mudança para outro país

Quando um dos cônjuges precisa fazer as malas e mudar de país muita coisa entra em jogo: a distância da família, dos amigos, da independência financeira, da sua zona de conforto.

E já adiando que não é um processo nada fácil. No meu caso, nós dois tivemos a oportunidade de experimentar a vida em ambos países. Primeiro ele no Brasil e depois eu aqui na Espanha.

Não existe facilidade quando você é um imigrante. Adaptar-se a novos costumes, a novos amigos, a um novo emprego, é um processo que leva tempo e requer energia mental de sobra.

E por falar em saúde mental, acho importante frisar que a responsabilidade emocional com seu parceiro (a) que está fora do seu país é indispensável. O apoio incondicional é imprescindível, no entanto não se pode confundir isso com dependência emocional.

Abrir mão, mas não de você!

Mudar de país é isso, gente! Abri mão. Abrir a mente. Soltar sua vida de antes para começar uma nova.

Minha dificuldade inicial, por exemplo, estava relacionada a abrir mão da minha independência financeira por um tempo indeterminado.

Depender economicamente de outra pessoa, ao menos para mim, é uma pedra no sapato. Mesmo que essa pessoa seja meu marido.

Por isso, meninas e meninos, o conselho que eu deixo é que vocês plantem sua própria arvore para não precisar estar na sombra de ninguém.

Obviamente que morando em outro país isso pode levar tempo, mas jamais abra mão de você e dos seus projetos profissionais.

Porque se você esquecer quem você é, os outros vão te transformar em quem eles querem que você seja. E não existe nada pior do que estar sepultado mais na vida do que na morte.

Relacionamento a distância funciona?

Depende, né meu povo! Tem que ter comprometimento e muita vontade de fazer dá certo. A internet nos deu mil e uma facilidade, mas também é um terreno perigoso.

Sites de relacionamento unem pessoas de diferentes países todos os dias, mas tenha cuidado desde o princípio. A ideia de que “gringo” são seres perfeitos precisa ir por agua abaixo.

São homens e mulheres como qualquer outra pessoa. Carregados de qualidades e defeitos que precisam ser ponderadas antes de dar um passo a mais, ao menos ao meu ver.

Case por amor

Deixa de besteira de querer casar com gringo por status, por conveniência e interesse. Não vale a pena. Casar com um estrangeiro é dar um giro de 360º na sua vida.

É, literalmente, colocar tudo de ponta cabeça. E isso, ao menos na minha opinião, só vale a pena quando existe amor de verdade.

A exigência do aprendizado diário com seu parceiro, com a família dele, com os amigos, com a cultura só vale a pena quando você além de estar disposta a sacrificar tudo o que ficou para trás quando existe reciprocidade.

Reciprocidade de sentimento, de respeito, de empatia, de carinho, de amizade. Na Espanha está cheio de mulheres e homens que vivem em verdadeiras gaiolas de ouro. Me explico.

Tem de tudo: roupa de marca, bolsas da última coleção, apartamento com vista para o mar, joias, e o diabo a quatro. Mas, não tem felicidade, não tem companheirismo, não tem amizades e relações profundas. E aí, te pergunto, vale a pena?

Espero ansiosamente o ponto de vista de vocês sobre esse tema 🙂


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Taiana Jimenez

Sou brasileira, residente e apaixonada pela Espanha. Amante de viagens e da cultura espanhola, compartilho com vocês minha experiência e as melhores dicas para quem deseja morar, estudar ou turistar pela terra de Cervantes!

3 Replies to “A dor e a delicia de ter casado com um gringo

  1. Olá Taiana , td bem?

    Me chamo Célia, estou estudando muito para passar 20 dias na Espanha em dezembro/19
    Sei que é muito frio, baixa temporada mas gostaria de passar 3 a 4 dias em cada cidade.
    Poderia por favor me orientar em hostes e mais dicas…
    Te acompanho no blog, então se puder passar algo te agradeço

  2. Oi!!! Estou encantada com esse post! Meu namorado é espanhol, consegui uma vaga pro mestrado aí (falando nisso, os preços para estudar aí me assustam!) e decidi me aventurar. As pessoas acham que todos os europeus são ricos e que eu estou nessa por interesse. Que tipo de interesse sádico seria o de ver o namorado uma vez por ano? De só ser abraçada quando se consegue comprar passagem na suuuuper promoção? De lidarmos com as emoções que surgem no decorrer dos anos de distância e solidão (de ambas partes)? Ter um “amor sem fronteiras” é muito mais complicado do que imaginava! Bom… Nos vemos em janeiro!!!

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